O bosque das ilusões perdidas, de Alain-Fournier
Eu já li livros que me fizeram chorar, mas este, sem dúvidas, é o livro mais triste que li até hoje. Le Grand Meaulnes, no original, é um clássico da literatura francesa publicado em 1913. Alain-Fournier demorou oito anos para terminar essa história e ele jamais imaginou que fosse virar um dos livros mais lidos pelos franceses. Infelizmente ele não viveu tempo o suficiente, pois no ano seguinte da publicação, em 1914, ele foi convocado para combater a Primeira Guerra Mundial e em setembro do mesmo ano acabou sendo atingido por um tiro na cabeça e morrendo. Ainda assim, apesar de testemunhas, sua morte é um mistério, pois seu corpo nunca foi encontrado.
A edição que eu li foi uma antiguinha do Círculo do Livro e traduzida pela Maria Helena Trigueiro e embora com o título diferente do original, ainda assim, traduz demais o que a história tem a mostrar.
O narrador é o François Seurel que começa a história com a chegada de Augustin Meaulnes, um garoto alto (daí o título de "grande") e exuberante, que veio morar em sua casa, na pequena cidade de Sante Agathe, e estudar na escola dirigida por seus pais. Maulnes é um garoto ousado que gosta de aparecer e logo se torna o líder do grupo. Embora com personalidades bem opostas, os dois se tornam muito amigos.
Em uma manhã, Meaulnes pega um cavalo e uma carruagem para buscar os avós de François na estação, mas acaba se perdendo no caminho. O cavalo consegue voltar, mas o garoto não. Dois dias depois, ele aparece na escola, mas François percebe que o amigo está diferente e ao questionar, Meaulnes conta que o cavalo havia se machucado, então ele resolveu entrar na floresta em busca de um lugar para passar a noite e acabou chegando a uma mansão que estava com uma das janelas abertas e entrou para dormir em um dos quartos. No dia seguinte ele foi surpreendido, pois parecia que ele havia encontrado um lugar fantástico. Adultos e crianças estavam fantasiados e brincavam, conversavam e corriam pela propriedade. Logo ele descobre que todos estão ali para um casamento e acaba conhecendo a irmã do noivo e se apaixona por ela. Em um momento no fim do dia, o noivo aparece cancelando a festa, pois sua futura esposa acabou fugindo. Maulnes consegue uma carona para casa, mas não teve tempo de se despedir da bela Ivonne de Galais.
Alguns dias depois, um novo aluno chega à escola e acaba pegando o mapa de Meaulnes e para a sua surpresa, o novato completa-o dizendo que também conheceu o lugar um dia. Meaulnes vai até a mansão, mas descobre que está abandonada e acaba duvidando se o que vivenciou lá um dia foi apenas um sonho.
Desamparado e com o coração partido, decide ir embora para Paris e nesse meio tempo conhece Frantz de Galais, o noivo daquela noite, irmão de Ivonne e que era aquele aluno novato e lhe promete ajudar a encontrar a mulher que fugiu.
Um dia François acaba encontrando uma jovem muito bonita e logo vê que ela é a moça que seu amigo se apaixonara um dia e escreve à Meaulnes para voltar à Sante Agathe, pois encontrou a pessoa que ele tanto procurou.
Meaulnes está um tanto quanto diferente, um pouco mais inquieto, mas pede Ivonne em casamento. Um dia depois de casar, ele diz à Ivonne que tem que cumprir uma promessa e vai embora, dizendo que ele voltaria o mais breve possível.
Eu sinto uma tristeza tão profunda quando penso no final desse livro que meus olhos ficam lacrimejantes. Eu adoro o François, mas o Meaulnes é meu favorito e quando ele finalmente encontra o amor da sua vida, ele vai embora para cumprir uma promessa que fez à um amigo. É uma lealdade que nunca vi. Abdicar da própria felicidade para ajudar outra pessoa. Muitos podem achar que ele foi idiota, mas não penso assim. Ele mostrou o quanto a amizade significa para ele e pensou que teria a vida inteira depois para ficar com Ivonne.
É um livro que fala sobre amizade e lealdade e sinceramente, não é todo mundo que vai gostar. Ele se tornou um favorito da vida e eu queria tanto que tivesse um final feliz.

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